América primeiro

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Se uma ideia pudesse ficar da campanha de Donald Trump seria esta: a “América está primeiro”. Entre as promessas eleitorais, podemos destacar a renegocição dos tratados comerciais dos Estados Unidos, a redução de impostos, a desregulação de certas actividades e a consequente criação de emprego. Quais são, entre estas medidas, as que se encontram asseguradas? Que efeitos poderão ter nos EUA e no resto do mundo?

O New York Times lançava a 21 de Novembro um artigo que antecipava a capacidade de Donald Trump em concretizar as promessas que enunciara na campanha presidencial. Não sabendo se o actual presidente eleito tenciona cumprir com estas medidas, verificamos se era possível concretizá-las no período de 100 dias. E quais seriam as consequências?

Tratados comerciais

A renegocição dos tratados comerciais dos Estados Unidos é uma das promessas mais emblemáticas do novo presidente norte-americano. As negociações sobre o TTIP, a Parceria Transatlântica para o Comércio e Investimento, que decorriam entre os Estados Unidos da América e a União Europeia serão provavelmente suspensas por iniciativa presidencial. Estas eram marcadas por um forte secretismo e pretendiam criar o maior mercado do planeta. A sua concretização era contestada por diversos movimentos como o ‘Não ao TTIP’ pela perda de direitos sociais que a sua implementação implicaria. O NAFTA, um acordo comercial entre EUA, Canadá e México, necessitará do apoio do Congresso.

Os Precários Inflexíveis reflectiram sobre os motivos pelos quais o TTIP seria nefasto:

As consequências a médio prazo implicam uma diminuição do volume de exportações dos EUA. As empresas estrangeiras que pretendem colocar os seus produtos no mercado norte-americano terão dificuldades acrescidas. Estas medidas proteccionistas pretender equilibrar a balança de pagamentos norte-americanos. Actualmente, os EUA compram mais do que vendem para o exterior o que aumenta o endividamento do país.

Reducção de impostos

A redução da carga fiscal necessita do apoio do Congresso para ser viabilizada. As duas câmaras norte-americanas são controladas pelo partido republicano que apoia este tipo de políticas. A ideia é que uma baixa dos impostos permita um aumento da actividade económica. Consequentemente, a economia poderia criar mais empregos. Porém, o orçamento de Estado deverá sofrer com esta estratégia devido à diminuição de ingressos. Os estrategas da Casa Branca defendem que a melhoria dos indicadores económicos deveria compensar a diminuição de impostos.

Desregulação

As medidas ambientais aprovadas pela Administração Obama deverão ser revogadas pelo novo inquilino da Casa Branca. Mas não é a única área a ser reavaliada por Donald Trump. A mais preocupante para o sistema financeiro internacional é a quebra da lei Dodd-Frank. Esta legislação limita a capacidade de investimento das empresas bancárias. A anulação desta lei pela administração Bush esteve na origem da crise económica e financeira actual. Os seus efeitos ainda se sentem na falta de segurança do sistema bancário internacional. Porém, a nova orientação deverá ter o apoio dos congressistas republicanos.

Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, alertou ainda no mês de Novembro para os perigos da desregulação do sistema bancário (fonte: Euronews.pt).

As medidas proteccionistas de Trump e os seus apelos ao investimento nos Estados Unidos já têm promovido uma deslocação dos investidores. Estes movimentos acabam por prejudicar as dívidas soberanas europeias. Portugal é um exemplo disso. A dívida portuguesa pode deixar de ter compradores para os respectivos títulos de estado.

Mas veremos as consequências da subida de Trump ao poder para Portugal num artigo a publicar mais à frente. Não perca entretanto, a 13 de Dezembro, ‘Todos a trabalhar’.

Sobre o autor

Damus Vocem

A Damus Vocem foi uma publicação online generalista "sobre temas que promovem a democracia e o respeito dos direitos humanos na sociedade portuguesa". A sua edição teve lugar entre Setembro de 2016 e finais de 2017. Esse projecto editorial serviu de protótipo à revista Periferia. Decidimos, por esse motivo, publicar alguns dos artigos da Damus Vocem no novo site. Todos os artigos assinados por Damus Vocem dizem portanto respeito à antiga publicação.

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