O capitalismo estético

164 visualizações

“O capitalismo estético na era da globalização” de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy é um livro publicado em 2014 pelas Edições 70.  A colaboração entre os dois autores franceses estuda a evolução do capitalismo artístico ao longo dos últimos 200 anos. 

Em “A Cultura do Mundo”, uma obra publicada em 2017 por Gilles Lipovetsky e Jean Serroy, os autores reflectiram sobre o primado do consumismo e a desorientação generalizada da nossa época. A ideia de hipermodernidade é o centro da reflexão de Lipovetsky. Em entrevista à Culture Next, o filósofo francês definia, em modo próprio, o conceito.

“O hedonismo, o consumo prometem felicidade e fuga. É uma sociedade que estimula um caminho para a felicidade nos seus parâmetros de referência, mas a realidade é que vemos a ansiedade, a tristeza, a preocupação, a frustração e a insatisfação diária a multiplicarem-se”.

Capitalismo regenerado

Os autores analisam o capitalismo contemporâneo à luz da sua vertente estética. O capitalismo de tipo artístico não desvirtua a sua essência racional mas constitui “um novo modelo de funcionamento que explora racionalmente e de maneira generalizada as dimensões estético-imaginárias-emocionais à procura do lucro e da conquista de mercados”. A obra de Lipovetsky e Serroy estuda a ideia de que a modernidade constitui uma nova fase de estetização do mundo “remodeladas pelas lógicas da mercantilização e do individualismo extremos”.

Áreas e fases do capitalismo artístico

Os autores classificam as áreas do capitalismo criativo como sendo “as indústrias da cultura e da comunicação”, os elementos da vida quotidiano, o mercado da arte e a indústria manufactureira. Estes elementos sofrem modificações substanciais através de três grandes fases temporais. A primeira percorre o século XIX até à Segunda Guerra Mundial, seguida pelas Trinta Gloriosas e, por fim, a era contemporânea. Neste momento, o capitalismo torna-se transestético e “o seu papel no funcionamento do capitalismo de hiperconsumo continua a crescer”.

Reflexões em aberto

Como refere Beja Santos em “O Ribatejo”, “o livro de Lipovetsky e Serroy é ousado, engenhoso, altamente comentado, temos aqui uma tela larga sobre o capitalismo artístico”.

“O capitalismo estético na era da globalização” encontra-se repleto de referências a momentos marcantes das sociedades modernas e contemporâneas. Relembra os impulsionadores das tendências de cada época e as mudanças que ocorreram nas mais diversas artes.

Porém, constitui uma obra controversa pela sua crítica ao modelo contemporâneo. Define um horizonte sombrio em que, nos seus aspectos piores, este novo modelo de sociedade “trouxe uma cultura degradada em show comercial sem consistência, uma vida absorvida por um consumismo hipertrofiado”. A solução? Apostar em mais qualidade em detrimento da quantidade. “O desafio é imenso. Não é impossível”.

Sobre o autor

David Fernandes

David Fernandes | Director de Periferia

Your email address will not be published. Required fields are marked *