Primavera de esperança

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Estas linhas são escritas no rescaldo de uma noite que terá mantido muitos europeus acordados até altas horas da madrugada. Óscares e eleições italianas servem de mote para uma mensagem de esperança no futuro, ainda que…

A mensagem de Frances McDormand na noite dos Óscares 2018 terá sido mais um momento marcante para a luta das mulheres em conquistar uma igualdade que demora (inexplicavelmente) tanto a concretizar-se.

Todos os anos, o Dia Internacional da Mulher é celebrado por meios de comunicação social, políticos, pais, maridos, amigos e filhos. Este ano não será excepção. Os media têm avançado com reportagens, artigos e lembretes de todo o tipo. A noite dos Óscares, esperada após a ascensão do movimento MeToo, foi mais um meio de atingir uma igualdade tão desejada.

No entanto, de tanto repetir-se, esta efeméride assume o risco de tornar-se banal. É sobretudo um imenso desrespeito pelas mulheres que deveríamos celebrar todos os dias, todos os momentos da nossa vida. Ao contrário do que é um Dia Internacional. Enquanto a data existir, esta continuará a ser o sinal de uma utopia não concretizada.

Mas esta é de facto uma mensagem de esperança. Esperança de que movimentos como o do MeToo possa concretizar-se, que o mundo da próxima geração possa relembrar estes tempos como anacrónicos e ultrapassados.

A todas as mulheres que não podem caminhar na rua sem se sentirem intimidadas, às que recebem menos do que o colega de trabalho, às que são representadas como objectos, às que são violentadas, queremos deixar uma mensagem de esperança.

2018 na senda de 2017

As eleições italianas de domingo deixaram um amargo de boca àqueles que continuam a acreditar num mundo mais tolerante e inclusivo. A campanha eleitoral ficou marcada por uma sucessão de episódios violentos e trágicos como um tiroteio que atingiu seis africanos, de várias nacionalidades, em Macerata. Luca Traini, ex-membro da Lega, um dos partidos vencedores das eleições, foi o autor do crime.

Uma Lega que fez campanha contra os imigrantes, os que vêm de fora. Venceu prometendo expulsar os que não são dos nossos, limpar as estradas, tal como Luca Traini. Um discurso xenófobo recompensado pelos eleitores com a maior votação de sempre de um partido que sempre foi secessionista, a partir da Lombardia e do Véneto. Em Macerata, a Lega passou de 0,6 a 20%.

A esquerda italiana desapareceu na noite de 5 de Março. Um movimento transversal a todos os países europeus onde, pouco a pouco, mensagens de tolerância e inclusão têm sido cada vez mais raras e silenciosas.

Mas esta é uma mensagem de esperança. A noite de 5 de Março é um episódio mais. Não será o último. Mas para os que acreditam que é possível um mundo mais justo, mais tolerante e mais inclusivo, a luta não é feita numa noite. Ou na celebração de um Dia.

É todos os dias. E, precisamente dia 21 de Março, começa a Primavera.

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